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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Epsitemologia das ciências sociais-Historicismo


HISTORICISMO


Continuação da postagem anterior 

O historicismo constitui uma das três principais  teorias ou concepções acerca conhecimento social. Abordaremos suas três fases, a saber: conservadora, relativista e desenvolvida por Karl Maurheim, sempre destacando a problemática que subjaz todas essas perspectivas, que é a questão da objetividade, do relativismo e dos juízos de valor, nessas abordagens que pretendem a cientificidade.
O historicismo se norteia por três diretrizes:
1.       Todo fenômeno social é histórico e só pode ser compreendido dentro da história, através da história.
2.       Os fatos sociais são diferentes dos fatos naturais. As ciências que as estudam  é de um tio diferente (método diferente).
3.       Tanto o objeto como o sujeito da pesquisa  se encontram imersos no fluxo da história.
4.       Passemos a conhecer o desenvolvimento histórico desta corrente social chamada historicismo.
O historicismo surge por volta do século XVIII e começo do século XIX e tem, nessa primeira fase, um caráter conservador. Visa legitimar as instituições econômicas, sociais e políticas existentes na Alemanha, na Prússia, enfim na sociedade tradicional representada pelos senhores feudais, o clero, os valores culturais e religiosos da época.  Entendiam que estas instituições  e a sociedade como um todo  eram produtos legítimos do processo histórico, como resultado de séculos e história, resultado de um processo orgânico de desenvolvimento. Portanto, ir contra essa sociedade, era ser um arbitrário superficial e anti-histórico. Daí, o historicismo conservador ser contra as posturas revolucionarias, como a Revolução Francesa e contra o próprio capitalismo.
Nesse primeiro período os cientistas sociais  não se preocuparam  tanto com a objetividade. Só a partir do século XIX    começa o questionamento sobre a objetividade. Foi Droysen, em 1873 que primeiro colocou a perspectiva relativista. Para ele a ciência histórica não é objetiva. Disse: “Eu não aspiro atingir, nada mais, nada menos do que a verdade relativa ao meu ponto de vista, tal como ele resulta de minha pátria, de minhas convicções politicas e religiosas e do meu estudo sério”. Resumindo , não existe uma verdade objetiva, neutra. Existem verdades resultantes de um ponto de vista particular. É obvio que este método só leva a resultados parciais e unilaterais.  Mas para ele isso não é algo negativo. “Devemos ter coragem de reconhecer esta limitação e nos consolarmos com o fato de que o limitado e o particular são mais ricos do que o comum e o geral. ( Lowy, 1985, p. 71).
O mais importante representante desse  grupo desse segundo momento relativista do historicismo foi Wilhelm Dilthey, escreveu por volta do fim do séc. XIX e inicio do século XX. Sua grande primeira contribuição foi distinguir entre ciências materiais e ciências sociais. E estabelece seus critérios para isso. Nas ciências humanas (ou do espírito) o sujeito e o objeto são idênticos. O homem e o objeto, ambos são estudados.  São objetos do conhecimento. Nas ciências naturais, apenas a natureza (objeto exterior) é estudado. Sem duvida o tipo de objetividade alcançada por ambos são em graus, tipo ou natureza diferente. No segundo critério, os juízos de valor e os juízos de fato são inseparáveis. Cada sujeito tem seus valores e estão presentes em suas análises da sociedade. No terceiro critério põe a necessidade de não apenas explicar, mas também de compreender os fatos sociais.
Dilthey conclui que “as ciências sociais são produtos históricos e tem sua validez historicamente limitada”. ( Lowy, 1985, p. 74). Dilthey compreende que a ciência social possui uma contradição. Deseja a objetividade, mas cada obra científica é vinculada a uma visão de mundo. Dilthey não sede ao caminho mais fácil, o ecletismo, que todo mundo tem uma parte da verdade. Preferiu o dilema  e ficou com o relativismo. Mas o relativismo total conduz ao ceticismo, ou seja, não existe verdade objetiva.
Tratemos do ultimo momento do historicismo, a sociologia do conhecimento de Karl Mannheim. Este é pensador Hungaro, de cultura alemã. Defende a posição que : “Toda forma de conhecimento ou de pensamento está vinculado ou depende de uma posição social determinada, ou de um social determinado”. ( Lowy, 1985, p. 78). Sua novidade é que relaciona os conhecimentos, as ideologias e utopias com posições sociais, particularmente com a posição de classe”.  Introduzindo uma dose de Marxismo no relativismo. O conhecimento não é só historicamente relativo, mas é também socialmente relativo. Mannheim formulará o conceito de “ideologia total”, o que e uma certa estrutura de consciência ou certo estilo de pensamento, socialmente condicionado, Löwy, procura explicar: “pode-se estudar com pensadores totalmente diferentes, mas todos de um mesmo estilo, que resulta do que ele chama de ideologia total, vinclulada a uma posição de classe”. (Löwy, 1985, p. 80).
A ideologia total ou visão de mundo, tudo isso determina o processo do conhecimento, porque determina a problemática, a orientação da pesquisa, a analise e a teoria.. Essa perspectiva socialmente condicionada, não é só fonte de ignorância, mas também de lucidez, ou seja,  aqui se tem uma percepção  da realidade, mas é limitada e parcial, porque depende de uma posição social.
Mas a questão da objetividade não abandona este autor. Ele perguntará: “Qual é aposição que tem os maiores chances ao máximo de verdade?”  Diz que a classe burguesa tem interesse de esconder do proletariado e de si mesmo a verdade. Assim, escolhe o marxismo como o “observatório” mais elevado, ou seja, a corrente sociológica com mais condições de chegar ao marxismo de objetividade.
Mas Mannheim se mostra um defensor do relativismo eclético, porque a solução para o problema da objetividade é uma síntese dinâmica dos vários pontos de vista, um centro dinâmico entre os extremos. Ele procura encontrar uma base social  para esta  síntese, realizada por um grupo social que seja capaz de realizar a síntese.  Para ele são os intelectuais flutuando livremente, ou intelectuais desvinculados, das classes. Não os orgânicos vinculados as classes, mas os livres das classes. Mas esta tese será abandonada por Mannheim, e buscava outra saída para o relativismo.

A solução que apresentará, e a solução é apropria sociologia do conhecimento, que revela a dimensão limitada socialmente condicionada, de todos os pontos de vista. Deste modo, o sociólogo toma conhecimento das suas limitações ideológicas do seu próprio conhecimento. Assim poderá fazer uma análise “auto crítica” das suas motivações inconscientes, podendo alcançar um auto controle e uma auto correção, e assim, chegar a um conhecimento científico objetivo. Essa foi sua grande contribuição, permitir esse auto controle, essa tomada  de consciência pelo cientista social.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

O positivismo




Resenha do livro: Löwy, Michael. Ideologias e ciência social: elementos para uma análise marxista. São Paulo: Cortez, 2008. 

O positivismo
 Ao tratarmos acerca da constituição da Antropologia como ciência, precisamos antes compreender o desenvolvimento das chamadas Ciências Sociais. Pois a antropologia se inscreve nessa categoria, sendo ela uma das ciências humanas.
No início de nosso estudo encontraremos o Positivismo. Ao tratarmos do positivismo iremos contextualizá-lo como uma teoria social pertencente às Ciências Humanas. Em seguida apresentaremos os principais característicos e seus pressupostos epistemológicos. Contemplaremos o pensamento de Max Weber, que em alguns aspectos, também se insere dentro do positivismo.
O termo epistemologia deriva do grego “epistemi” e significa ciência. Opõe-se a “doxa” que significa opinião. A epistemi pretende ser um conhecimento certo, verdadeiro. A ciência que tratava do homem antes do século XIX era a filosofia, utilizando o método especulativo utilizado pela metafísica. Na modernidade a filosofia como metafísica  entra em crise.  Kant fará uma critica à razão pura cujos resultados foram que a metafísica não se constitui  uma ciência como a matemática e a física. Não é capaz de produzir juízos sintéticos a priori, como o faz a matemática e a física. Embora ideias de Deus, mundo, liberdade, alma possam ser pensadas, não podem ser conhecidas. A metafísica pensada como os dogmáticos é uma ilusão, um não conhecimento. Assim surge um espaço vazio. A filosofia se viu incapaz de dizer o que é o homem. Este espaço vazio será ocupado pelas ciências humanas, estas com grande prestígio derivado do êxito obtido no campo da matemática e física, pretenderá ser a detentora do verdadeiro conhecimento do mundo e do homem.
Notamos aqui uma mudança de método. Abandona-se o método especulativo (filosofia) e adota-se o método da observação, da empiria. Varias ciências surgiram na tentativa de dar conta do humano (sociologia, antropologia, história, geografia, etc.), mas todos tendo como referencia as ciências naturais. Esperava-se alcançar nas ciências humanas o mesmo grau de objetividade das ciências naturais. O positivismo é uma proposta teórico-metodológica com pretensão de constituir-se  como ciência capaz de explicar as relações e fenômenos social. A problemática subjacente que perpassa  nosso estudo é: É possível uma ciência humana isenta de valores, dito de outro modo, capaz de alcançar objetividade tal qual as ciências naturais. O positivismo pode ser explicado a partir de três ideias principais ou hipóteses fundamentais:
a)       A sociedade humana é regulada por leis naturas, imutáveis, ou seja, não sofre influências da vontade ou ação humana. Essas leis regulamentam a vida social, econômica e política e são leis regulamentam a vida social, econômica e política e são do mesmo tipo que as leis naturais.
b)        O método para conhecer a sociedade são os mesmos utilizados para conhecer a natureza.
c)       Assim como as ciências naturais são ciências objetivas. Livres de juízos e valores, as ciências humanas devem ser do mesmo tipo, ou seja, devem ser objetivas. Os valores são empecilhos a objetividade, são contrários, portanto indesejáveis nesse campo.
Talvez tenhamos aqui um elemento utópico, pois o positivismo “afirma a necessidade e a possibilidade de uma ciência social completamente desligada de qualquer vínculo com as classes sociais, com as posições políticas, os valores morais, as ideologias, as utopias, as visões de mundo”. (LOWY, 1985, p. 36).
O positivismo pretende completa isenção  de preconceitos para as ciências humanas. Sendo filha do Iluminismo, entendemos seus motivos, ao compreendermos o contexto o qual estava inserido, pois lutava contra a ideologia dominante da época, a ideologia clerical, feudal, absolutista. No primeiro momento, o positivismo se mostra  possuidora de uma caráter utópico, crítico  e até certo ponto revolucionário.
O primeiro representante do positivismo foi Condorcet (1743-1794) , que postulou que a ciência da sociedade, deve tornar o caráter de uma matemática social, ou seja, deveria ser preciso e rigoroso, objetivo. Considerava o conhecimento da física um  modelo de ciências isentas de valor ou paixão, assim deveria ser as ciências humanas.
Em seguida temos Saint-Simon (1760-1825), discípulo de Condorcet. Esse formulou uma ciência social segundo o modelo biológico (fisiológico). Sua reflexão tem caráter crítico utópico. Para ele algumas classes são parasitas do organismo social, uma referencia à aristocracia e ao clero. Também e caracteriza como combatente das classes dominantes.
Com Augusto Conte (1798-1857) temos uma mudança, pois este criticava, pois este criticava seus antecessores em virtude de seu caráter critico e negativo. Para Conte o conhecimento deveria ser positivo. O positivo aqui soa quase como conservador. Embora continue a tradição anterior, considera a ciência natural como paradigma a ser perseguido, chama sua concepção de “física social”, é uma ciência que estudara os fenômenos sociais. Esses fenômenos são submetidos a leis invariáveis. Essas leis são naturais. Na economia é natural que as riquezas se acumulem nas mãos de poucos e o proletariado deve se conformar com tais leis imutáveis. Vemos aqui como as ideias de Conte refletem os interesses da nova burguesia já estabelecida. Max vai criticar a existência de tais leis.
Emile Durkheim foi um sociólogo no sentido pleno. Por isso o positivismo depende mais deste  do que de Conte. Para ele o objetivo da sociologia era estudar fatos que obedecem aleis sociais, leis invariáveis do mesmo tipo que as leis invariáveis da natureza. O método era o mesmo.
O cientista social deve por de lado suas prenoções antes de iniciar sua pesquisa. Deve deixar-se conduzir pela imparcialidade científica, o sangue-frio. Fazer calar as paixões. Esta tese é mantida por todos os positivistas. É claro que essa imparcialidade não é conseguida nem mesmo por Durkheim, que deixa claro seus valores conservadores em sua obra As Regras do Método Sociológico.
Passemos a análise de Max Weber.  Este foi um autor positivista, mas com algumas divergências.  Ele acredita como todo positivista, a possibilidade de uma ciências social  livre de juízos de valor. Weber  considerava que toda ciência da sociedade, da história e da cultura implica uma relação com os valores que servem  de ponto de partida para a investigação científica.  Assim não considerava algo negativo  estarem presentes  no inicio da pesquisa  os valores. Os valores são pressupostos  indispensáveis a qualquer investigação. Determinam a seleção do objeto, informa a direção da pesquisa, irão fornecer a problemática, ou seja, as perguntas que serão feitas.
Porem num segundo momento, o da resposta, Weber considera que as ciências sociais devem ser livres de valor, deve ser neutras.  A investigação empírica deve submeter-se a leis ou regras objetivas e universais da ciência.

“Deste modo, os pressupostos da pesquisa são subjetivos, depende de valores,  mas os resultados da investigação devem ser inteiramente objetivos, isto é, válidos para qualquer investigador.” (LOWY, 1985, p.50).  

Referência
Resenha do livro: Löwy, Michael. Ideologias e ciência social: elementos para uma análise marxista. São Paulo: Cortez, 2008.  

terça-feira, 14 de julho de 2015

Kant - Crítica da razão pura

Resenha parcial da obra: PASCAL, George. O pensamento de Kant. 6ª. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.




Antonio G. Sobreira

  Kant rejeitou a metafísica tradicional. As incertezas das conclusões metafísicas levaram Kant à ideia da Crítica. Foi a leitura de Hume que o “fez despertar do sono dogmático”. Hume havia argumentado que “a razão é incapaz de pensar a priori,” assim como o “conceito de relação necessária, como é o caso de causa e efeito". Só a experiência poderia engendrar essa ideia de “causa.”  O princípio da causalidade era uma ilusão criada pelo hábito - Hume. 
Era pelas análises das ideias a priori do espírito, ou das ideias inatas, que o racionalismo de Descartes, de Leibniz e de Woff pretendia atingir verdades absolutas e construir uma metafísica.
A crítica de Hume persuadiu Kant a abandonar o “velho dogmatismo”, mas Kant não alimentava simpatia pelos céticos. Kant acha que o ceticismo erra por manifestar indiferença para um tema que não pode ser indiferente a natureza humana. É a metafísica que trata de temas como Deus, alma imortal, liberdade do homem no mundo. A razão não pode limita-se a experiência.
 Mas porque a metafísica não avançou por caminhos seguros, enquanto outras ciências o fizeram?  Por que não apresenta o mesmo grau de certeza das outras ciências, como a matemática e a física? A metafísica pode ser considerada uma ciência?
Kant não elaborou uma nova metafísica, mas atacou o problema pela raiz. Interroga sobre as possibilidades da razão. O que a razão pode conhecer?  A preocupação crítica é não dizer mais do que se sabe. Essa crítica diz respeito a razão pura. A metafísica é possível ou impossível? A razão será examinada. Buscar-se-á a própria razão, suas regras e os limites da sua atividade. 
Kant examina a “razão especulativa”, na sua primeira crítica. E depois ao princípio de nossas ações “a razão prática.” E a razão de nossos juízos estéticos e teleológicos, na “crítica do juízo”. Mas estas últimas não serão tratadas aqui.
 O método de Kant pode ser denominado de método reflexivo (movimento pelo qual o sujeito se volta sobre si mesmo).
(1) Como se explica os conhecimentos racionais e certos  na matemática e na física?
(2) É possível haver tais  conhecimentos na metafísica?
Como a matemática chega ao conhecimento a priori? Assim chegaremos a possibilidade da razão.  As noções da metafísica procura estender o conhecimento além da experiência ( as noções metafísicas são noções a priori). Tales, Galileu, Torricelli, todos se guiaram docilmente pela experiência, acumulando observações esparsas, começaram a interrogar a natureza segundo as exigências da razão, lograram assim, descobrir as leis.
A mudança do método consiste em determinar o objeto consoante a exigência da razão, em vez de por o objeto como uma realidade dada, perante a qual a razão tem que se dobrar. Nosso conhecimento do objeto depende do sujeito conhecente tanto quanto do objeto conhecido. Esta  é a famosa revolução copernicana Kantiana.
Os objetos devem ajustar-se ao nosso conhecimento. Kant substitui a hipótese realista pela hipótese idealista. O Realismo admite que uma realidade nos é dada. Conhecer significa registrar o real. O espírito é passivo nessa operação. No Idealismo, o espírito intervém ativamente na elaboração do conhecimento. O real é resultado de uma construção. Ou seja, o objeto que conhecemos, em parte é obra nossa. “Não conhecemos a priori nas coisas senão aquilo que nós mesmos nelas colocamos”. (Idem, p. 36).

O idealismo transcendental
Vamos precisar a noção de a priori.
Nossos conhecimentos do objeto se dão em forma  de dois elementos:
(1)     Depende do próprio objeto. É a “matéria” do conhecimento.
(2)     Depende do sujeito. É a “forma” do conhecimento.
Conhecer é  dar forma a matéria dada. A matéria é a posteriori, e a forma,  a priori.
Existem conhecimentos a posteriori e conhecimentos a priori. Como distinguir entre ambos? O conhecimento a priori são toda “proposição universal e necessárias. A experiência da origem a “proposições contingentes”. [2] Se nos ativermos à experiência, não poderemos passar para proposições universais. Nossa certeza se baseia apenas nos fatos que podemos constatar. Não podendo passar para uma afirmação universal válida para todos os casos.
Portanto a razão é a fonte única de proposições universais e necessárias. E isso não seria possível se a mente não fosse fonte de conhecimento. É certo que possuímos conhecimentos a priori. Exemplos:
As proposições  da matemática.
O principio da casualidade. Tudo que acontece tem uma causa, é uma proposição universal e necessária.
Nos próprios conceitos empíricos, há a noção  do espaço.
Espaço e substancia são a priori.
Nem todos os nossos conhecimentos a priori têm o mesmo valor. Ciência e metafísica, são diferentes.  No primeiro há acordo, no segundo não.
É necessário fazer distinção entre juízo analítico e juízo sintético. (PASCAL, p. 38).
Todo juízo de experiência é sintético.
 A experiência nos ensina a acrescentar certos atributos aos nossos conceitos. “Todos os corpos são pesados.” Acrescenta ao conceito corpo o atributo “peso”.
Os juízos analíticos são a priori. Pois não há nenhuma necessidade de recorrer a experiência para determinar o que penso num determinado contexto.
A GRANDE DESCOBERTA DE KANT é uma terceira classe de juízos: os juízos sintéticos a priori.[3]
Estes são universais e necessários, como os juízos analíticos, mas além disso, nos permite ampliar os nossos conhecimentos, enquanto os juízos analíticos apenas podem explicá-los ou esclarecê-los.
“O que diferencia os conhecimentos racionais da matemática e da física dos da metafísica é que aqueles são juízos sintéticos a priori, e estes, juízos analíticos.[4] [...] A ciência da natureza contem em si como princípios juízos sintéticos a priori.” (PASCAL, p.39).
“É a tais juízos que a matemática e a física devem o seu caráter de certeza. E foi no exemplo dessas ciências e nomeadamente, no da matemática, que em todo tempo se inspiraram a metafísica.
O problema é de saber se os juízos sintéticos a priori são igualmente possíveis em metafísica. Problema esse que somente a Crítica é capaz de resolver.
“Na metafísica, ultrapassamos ou transpomos toda experiência possível e, por conseguinte, nada temos que possa garantir o valor objetivo dos nossos conhecimentos Esta é uma conclusão sumária da Crítica”.
Consequências
A crítica da razão pura pode ser caracterizada como um inventário das formas a priori do espírito, enquanto faculdade de conhecimento.
Formas a priori são os quadros universais e necessários através dos quais o espírito humano percebe o mundo.  Mas há distinções na forma de conhecer.
(1)     Formas a priori da sensibilidade ou das intuições
(2)     Formas a priori do entendimento ou dos conceitos.

“ A matéria a ser conhecida é ao mesmo tempo dada e ligada no interior das formas a priori. Haverá, pois (1)formas a priori da sensibilidade e (2)formas a priori do entendimento.” (Idem, p. 41).

(1)     As formas a priori da sensibilidade, ou intuições puras, são espaço e tempo. São os quadros ou moldes universais e necessários nos quais e inserem as intuições empíricas (cores, sabores, odores, sentimentos, etc).

Espaço é a forma do sentido externo. O tempo, a forma do sentido interno.

“E, visto como a geometria tem por objeto o espaço, que é uma intuição pura, compreende-se que ela possa  enunciar juízos sintéticos a priori: o caráter intuitivo do espaço explica que tais juízos são sintéticos e, como a intuição é pura, a síntese é a priori.”

(2)     Formas a priori do entendimento (ou dos conceitos), são as categorias, ou maneiras próprias ao espírito humano de conceber as coisas, isto é, de ordenar o múltiplo dado na intuição.
      Os conceitos de substância e causalidade são categorias.
      Eu sei a priori que todo fenômeno é causado, e que em toda mudança alguma coisa se conserva.
“Assim se explica a certeza dos princípios da física: nada mais fazem do que enunciar aquilo que o espírito exige das coisas para que possam  ser conhecidas.” (idem, p. 41).
Mas, estas categorias não são mais do que formas, ou seja, maneira de ligar. Por si mesmas nada nos dão a conhecer, e somente as intuições sensíveis podem dar um conteúdo e uma multiplicidade a ser ligada.
            O espírito humano é constituído de formas,  tal que lhe é impossível deixar de fazer um uso suprassensível dos referidos conceitos e de captar por meio deles alguma realidade transcendente.
No mundo sensível não percebemos senão relações, pois conhecer é ligar; mas o espírito aspira ao absoluto, ao incondicionado. Pode-se chamar-se razão ao entendimento enquanto pretende captar o incondicionado, e ideias, aos conceitos obtidos nesse tipo de pesquisa.
Assim, o mundo, considerado como um todo, é uma ideia da razão; igualmente a alma, considerada como substancia existente em si mesma, e Deus, substancia das substâncias e causa das causas, são ideias da razão.
Mas como as categorias não tem outros conteúdos que não sejam os dados das intuições sensíveis[5], este uso suprassensível que delas faz a razão, embora muito natural, é ilegítimo.
O entendimento é constitutivo, quer dizer: os seus conceitos dão forma à experiência; a razão é reguladora; quer dizer: as suas ideias orientam a marcha do pensamento para o absoluto, mas não permite atingi-lo. A metafísica é uma ilusão inevitável. Somo levados a pensar a alma, o mundo e Deus; mas não podemos conhecê-lo.

São estes os temas fundamentais da crítica da razão Pura.

1ª Parte -  Estética transcendental
· Formas  a priori da sensibilidade. Como são possíveis os juízos sintéticos a priori da matemática?
2ª Parte – Lógica transcendental
         (1) Analítica – (as formas a priori do entendimento). Como são possíveis os juízos sintéticos a priori da física.
        (2) Dialética – (Ideias da razão).
 É possível haver juízos sintéticos a priori na metafísica?   Kant responde  negativamente.
Consequências mais importantes
Precisando a noção de transcendental
“nunca significa relação do nosso conhecimento com as coisas, mas somente relação com a faculdade cognitiva” (Prolegômenos, p. 63 apud Pascal, p. 43).
“chamo transcendental a todo conhecimento que se ocupa, não propriamente com objetos, mas, em geral, com a nossa maneira de conhecer objetos, enquanto esta deve ser possível  a priori” (B 25;TP 46 apud Pascal, p. 43).
Transcendental se opõe a empírico. O principio de causalidade, por exemplo, é transcendental. E assim se aproxima de transcendente,  que designa o que está para além de toda experiência.
Mas não devemos confundir os termos.
“Um principio transcendental, com efeito, não admite outro uso que não seja o imanente, quer dizer, referente aos objetos de experiência.” (idem, p. 43).
“Um princípio transcendente, ao contrário, pretende ultrapassar o domínio  na experiência”.
“Nesse sentido, o termo transcendental é inteiramente característico da filosofia kantiana, que é precisamente um esforço para descobrir no pensamento os elementos constitutivos da experiência, dos meios de captar e de ordenar o real.” (idem, p, 44).
“não significa aquilo que ultrapassa toda experiência, mas aquilo que, em rigor de expressão, a antecede (a priori), sem outra finalidade que não seja a de possibilitar, exclusivamente, o conhecimento da experiência” (idem, p.45).

Conceito de ideia
“Por ideia entendo um conceito racional necessário, ao qual não pode corresponder nenhum objeto dado pelos sentidos. Assim, os conceitos puros da razão... são ideias transcendentais. São conceitos da razão pura, visto considerarem todo conhecimento empírico como determinado por uma totalidade absoluta das condições. Não são imaginados arbitrariamente, mas nos são dados pela própria natureza da razão, e referem-se de um modo necessário a todo uso do entendimento. Em suma,  são transcendentes e ultrapassam os limites de toda experiência, na qual não poderia haver qualquer objeto adequado à ideia transcendental” (Kant apud Pascal, p. 44).

Conceito de idealismo transcendental
É  a doutrina segundo a qual todo objeto de conhecimento  é determinado a priori pela própria natureza de nossa faculdade de conhecer.
O idealismo  kantiano longe de ter  por duvidoso o valor da experiência, e de procurar a verdade nas ideias do entendimento puro e da razão, como faz o idealismo clássico, considera, ao contrário, que: “todo conhecimento das coisas proveniente só do entendimento puro ou da razão pura não passa de ilusão; só na experiência há verdade” (Kant, p.152 apud Pascal, p. 45).
A favor do empirismo. Não há conhecimento que não proceda da experiência. “Nenhum conhecimento precede em nós a experiência, e todos começam com ela”.
A favor do idealismo clássico. A razão  é por si mesma fonte de conhecimentos, visto que há juízos sintéticos  a priori.
“Conquanto todo nosso conhecimento comece com a experiência, nem por isso deriva, todo ele, da experiência”.
Contra o racionalismo clássico, Kant sustenta que a razão é incapaz de atingir realidades outras que não as sensíveis; conhecer, é conhecer alguma coisa; fora dos objetos do mundo, os nosso conceitos não apreendem nada: o pensamento sem conteúdos são vazios.” (id.,p. 46).
O racionalismo kantiano  pode ser chamado de racionalismo critico.
“Destarte o racionalismo kantiano... mantém-se a igual distancia do dogmatismo e do ceticismo. Não é dogmático, porque recusa a razão humana o poder de conhecer um mundo inteligível, feito de realidades transcendentais, ou seja, o poder de atingir o absoluto. Mas tampouco é cético, pois admite que o espírito humano é capaz de chegar a verdades universais e necessárias.” (idem, p. 46).

Conceito de fenômeno e númeno
Os fenômenos são as coisas, assim como nós as conhecemos. Os numeno são as coisas em si, tais como são independentes do conhecimento que temos delas. Para nós  não há conhecimento que não seja o do mundo fenomênico. As exigências da razão prática nos obrigara apensar no mundo numenal.
Os númenos são as coisas pensadas; não podemos saber o que  o mundo e a alma são em si mesmos; mas com a condição de unicamente de não nos contradizermos, podemos pensá-los como queiramos.
“Tive de suprimir o saber, a fim de abri espaço para a crença” (B XXX; TP 24 apud pascal, p. 47).
“E se a moral exige que acreditemos na liberdade do homem, na imortalidade da alma e na existência de Deus, esta crença, como diria Alain, nada custará à nossa geometria.” Pascal, 1999, p. 47).




[1] Ver Pascal. O pensamento de  Kant. Vozes. p. 32.
[2] Em filosofia e lógica, contingência é o status de proposições que não são necessariamente verdadeiras nem necessariamente falsas. São proposições possíveis.
[3] Condição de conhecimento a priori, independe da experiência. Mas para constituir-se como conhecimento válido precisa ser aplicado a experiência.
[4] Antes que estes conhecimentos (sintéticos a priori) progredissem, não eram “conhecimentos”, pois não eram conhecidos.
[5] Todo conhecimento verdadeiro só é possível por meio da experiência.



Resenha do ensaio “Educação após Auschwitz”



O ensaio reflexivo a ser resenhado intitula-se “Educação após Auschwitz” do renomado Theodor Adorno, tradução de Wolfgang Leo Maar.

Por Antonio G.Sobreira


            O referido artigo aborda a questão da educação, civilidade e barbárie com  muita propriedade, de forma clara e objetiva. Fala de uma educação que possa prevenir um novo Auschwitz. Procura diagnosticar os motivos que levaram a esta barbárie ou incivilidade que representou Auschwitz e, embora não proponha um projeto educacional completo, faz algumas indicações, sinaliza aspectos relevantes, faz propostas interessantes que deveriam ser seriamente consideradas.    A temática central do artigo pode ser sintetizada na própria frase inicial do artigo “A exigência que Auschwitz não se repita é a primeira de todas para a educação”. O artigo começa falando acerca da pouca consciência existente na sociedade em geral do que representou Auschwitz. Analisa inicialmente como a sociedade foi capaz de produzir Auschwitz, mostra que a própria sociedade produz a incivilidade através de uma psicologia de massa, de um nacionalismo agressor, uma pressão civilizatória originando raiva contra a civilização desencadeando rebelião violenta e irracional, principalmente contra os mais fracos. Para contrapor esta realidade algumas sugestões são feitas, tal como a educação infantil esclarecida. Mas o que o autor identificará como ponto nevrálgico é a questão da diferença cultural ainda persistente entre a cidade e o campo. Para mudar esta situação o autor apresenta algumas propostas.
A exigência que Auschwitz não se repita é a primeira de todas para a educação, assim começa o artigo. O autor admirasse da pouca atenção que foi dada a esse assunto, da pouca consciência existente em relação a essa exigência.  Poderia a sociedade regredir ao ponto de chegar a um estado de barbárie? Adorno coloca que não só é apenas uma possibilidade remota, mas já foi uma realidade bem recente e que, se suas causas não forem diagnosticadas e tratadas, pode haver novos Auschwitz. Toda potência desencadeadora da incivilidade encontra-se na própria civilização. Por isso nenhuma  meta educacional é mais importante do que esta, que Auschwitz não se repita.
Milhões de pessoas inocentes foram assassinadas de uma forma planejada. Isso não pode ser amenizado, não pode ser visto meramente como um fenômeno superficial ou uma aberração  no curso da história.



E o que preocupa o autor é que a estrutura básica da sociedade que produziu Auschwitz não mudou nestes 25 anos.  O autor aponta algumas causas ou raízes que deram origem aquele genocídio em massa. Entre elas a ressurreição do nacionalismo agressor presente em alguns países a partir do século XIX. Na  tentativa de contrapor a repetição de Auschwitz, Adorno  propõe uma investigação a ser feita nos próprios perseguidores aprofundando até mesmo ao ponto de fazer uma análise psicológica dessas pessoas. É preciso “buscar as raízes nos perseguidores e não nas vítimas”.  O mesmo coloca “A educação tem sentido unicamente como educação dirigida a uma autorreflexão critica. Contudo, na medida em que, conforme os ensinamentos da psicologia profunda, todo caráter, inclusive daqueles que mais tarde praticam crimes, forma-se na primeira infância, a educação que tem como objetivo evitar a repetição precisa se concentrar na primeira infância.” Assim, o autor destaca a importância da educação na infância.

O mal estar da cultura, tese de Freud, também contribui ao diagnosticar as causas, e mais do que o mesmo poderia imaginar, pois esta pressão civilizatória aumentou em grande escala. Como o próprio autor afirma:
“A pressão do geral dominante sobre tudo que é particular, os homens individualmente e as instituições singulares, tem uma tendência a destroçar o particular  e o individual juntamente com seu potencial de resistência .” 
Essas pressões redundam em um esforço de  contrapor-se  as mesmas o que  faz com que  sigam forças ou ideologias sedutoras e a atos cegos e criminosos. O esforço que procura escapar dessa pressão civilizatória converte-se em raiva contra a civilização e assim ela se torna alvo de uma rebelião violenta e irracional.
Adorno não pretende seque elaborar um esboço de um projeto educacional que impeça um novo  Auschwitz.  No entanto o autor fala sobre uma educação infantil, de um esclarecimento geral, que produz um clima intelectual, cultural e social que não permita tal repetição. De forma que os motivos  que levaram ao horror se tornem conscientes. Ainda sobre os motivos, nos Estados Unidos o espírito germânico de confiança na autoridade foi responsabilizado pelo Nazismo e por Auschwitz. Mas parece ser superficial tal afirmação.
Outras pessoas citam o conceito de vínculos de compromisso. A ausência de compromisso das pessoas seria responsável pelo que aconteceu. Porem o autor entende que este ponto é ilusório, pois vínculos de compromisso  faz tornar-se dependente de mandamentos, de formas que não são assumidas pela razão própria do indivíduo. No contexto dos compromissos a consciência moral é substituída  por autoridades exteriores.
O autor, ao tratar sobre a questão da autoridade e barbárie, cita um livro O Estado da SS, de Eugen Kogon. Kogon afirma que os algozes do campo de concentração em que ele mesmo  passou  anos eram em sua maioria jovens filhos de camponeses.  A diferença cultural ainda persiste entre a cidade e o campo constitui uma das condições do horror embora não seja a única nem a mais importante. O autor assinala a defasagem cultural e pensa que a desbarbarização do campo constitui um dos objetivos educacionais mais importantes.
Porem, não passa despercebida a questão da violência nas grandes cidades -  “tendência de regressão – ou seja, pessoas com traços sádicos reprimidos – são produzidas por toda parte pela tendência social geral. Neste contexto, o autor  menciona a questão  relação perturbada e patogênica com o corpo que o mesmo e Horkheimer descrevem na Dialética do Esclarecimento.
O autor afirma que “Em cada situação em que a consciência é mutilada, isso se reflete sobre o corpo e a esfera corporal de uma forma não livre e que é propicia a violência. Basta prestar atenção em um certo tipo de pessoa inculta como até mesmo a sua linguagem – principalmente quando algo é criticado ou exigido – se torna ameaçadora, como se os gestos da fala fossem de uma violência corporal  quase incontrolada.”
 Adorno destaca o valor do esporte que deveria ser melhor explorado por uma psicologia social critica. Embora a prática esportiva seja ambígua, pois tanto pode dar  lugar a um barbarismo como pode ser incentivadora de um cavalheirismo e do respeito pelo mais fraco. A questão é analisar essas ambiguidades e aplicá-las a vida esportiva de forma a ter sua influência  na educação.

O autor ainda apresenta o problema da coletivização cega onde destaca que o mais importante é contrapor ao poder cego de todas as coletivizações cegas. Esta coletivização é o que origina os hábitos populares incluindo  as brutalidades e forma de hábitos. Desaconselha estes hábitos populares, ritos de iniciação que infringem dor física – muitas vezes insuportável  a uma pessoa,  como por exemplo os trotes de qualquer ordem pois, o autor as ver como precursoras da violência Nazista.
O autor relaciona estes atos com o pretenso ideal relevante de uma  educação tradicional que valoriza a severidade. Uma educação baseada na força, vontade e disciplina. Em vez disso deveria ser promovida uma educação  que não premiasse  a dor  ou a capacidade de suportá-la.

Ainda sobre os coletivos cegos, o autor assiná-la que pessoas que se enquadram cegamente em coletivos convertem a si mesmos e aos outros em coisas. Tendem a tratar os outros como massas amorfas. Adorno denomina as pessoas que agem desta forma como “caráter manipulador’”. A personalidade autoritária manifesta fúria organizada, ausência de emoção e realismo exagerado. Ainda demonstram indiferença ao conteúdo de tais ações. Valorizam a  atividade, eficiência e culto do homem ativo. Manifestam uma consciência coisificada e veem a tortura como adaptação controlada e acelerada das pessoas ao coletivo.
Portanto é importante esclarecer o modo de construção do caráter manipulador para impedir a sua formação.  Duas razões são apresentadas como raízes desta construção: o orgulho e a consciência coisificada. A consciência coisificada está estreitamente relacionada com a técnica. E o que estas construções produzem? Pessoas tecnológicas, fetichização da técnica, pessoas incapazes de amar e amor absorvido por coisas. Em fim, frieza de um modo peculiar. Profunda indiferença com o que acontece com os outros. Incapacitados assim de identificação com o outro.  Sim, uma verdadeira incapacidade de amar. Sem falar da participação oportunista e a  indiferença frente ao destino dos outros.
 Mas o autor não quer pregar o amor. Pensa que sua pregação é vã. Pois a falta de amor é a deficiência de todos. O cristianismo que procurou pregá-lo fracassou, pois não conseguiu apagar a frieza que tudo penetra.  Seu fracasso se deu por não mudar a ordem social, que produz e reproduz a frieza. Incentivar o amor de forma imperativa só  perpetua a frieza.
Próximo de finalizar seu Adorno ainda discorre sobre algumas possibilidades de conscientização dos mecanismos subjetivos sem os quais Auschwitz jamais teria ocorrido. Conhecer estes mecanismos é uma necessidade, bem como conhecer a defesa estereotipada daqueles que afirmam que tal acontecimento não foi tão grave assim. Estes que afirmam tal absurdo talvez estejam prontos para assistir ou colaborar para que tudo aconteça de novo.  É preciso ficar atento, pois “em uma época em que o nacionalismo e antiquado, os chamados movimentos de renovação nacional são, ao que tudo indica particularmente sujeitos a práticas sádicas.”
Em fim, o cetro de toda educação política deveria ser que Auschwitz não se repita. Isso só será possível quando esta questão ocupar o patamar da mais relevante questão sem medo de contrariar quaisquer potências. Quando se transformar em uma sociologia identificadora das forças políticas que está na base. Precisaria analisar criticamente o direito do Estado acima dos seus integrantes, isso só já potencializa  a presença do terror.  Embora todas as medidas possam ser tomadas, o autor considera difícil evitar o reaparecimento de assassinos de gabinete.
É notória a propriedade com que o autor trata seu tema. Visto que a sociedade atual manifesta indícios de um comportamento perturbador crescente em frente ao processo de massificação. O mesmo possui a verdade ao seu favor quando afirma que a questão que produziu Auschwitz não está sendo tratada como deveria o que realmente é assustador. Isso é facilmente demonstrado pela ausência dessa temática em seminários, nas universidades quase nunca se fala sobre o assunto.
 Guerras que matam milhões em grande escala sempre existiram. Por que Auschwitz deveria receber uma atenção diferenciada? Certamente por sua singularidade, pois aqui, não se trata de morte em combate, mais um genocídio planejado milimetricamente sem nenhuma chance de defesa o que amplia a magnitude da crueldade, barbaridade e desumanidade praticada contra as vítimas inocentes e indefesas.  Mas ao analisar a  sociedade atual percebe-se que o tema é bastante atual, basta ver o índice de violência crescente na sociedade moderna, o que nada mais são do que pequenos Auschwitz em pleno século XXI. Adorno esta certo ao relacionar  a educação, civilidade e barbárie. É preciso uma educação libertadora. Creio ser esta sua proposta bastante plausível. Será que os sistemas modernos de educação estão atentos a isso?
O autor diagnostica bem as causas, mas pouco apresenta soluções ou pelo menos as apresenta de forma muito geral. Mas não podemos esperar muito de um ensaio a não ser que pincele as causas.  Toca na essência do problema quando fala do egoísmo e frieza presente na sociedade, parece conhecer a resposta ao assinalar a falta de amor, por outro lado parece descartar esta possibilidade ao ser contra a pregação de tal amor pela simples  razão do mesmo ser uma carência de todos.   É lógico que as causas que produziram Auschwitz são complexas e dizer que foi falta de amor não equaciona nem  resolve o problema. Neste “sentido’ pregar o amor não é suficiente. Por outro lado o conhecimento puramente intelectual das causas também não parece ser a única solução.
Quem disse que o conhecimento das causas fundamentais vai prevenir um novo Auschwitz? Sem dúvida é importante conhecer as causas, mas até que ponto isso é possível? Até que ponto elas serão verdadeiramente apontadas?  Deve haver um apelo a razão, mas dever haver um apelo ao sentimento de humanidade, um apelo ao amor que por mais escasso que esteja, deve ser sim, alimentado de todas as formas, pregado de muitas maneiras e principalmente através de uma prática que reconheça no outro a si mesmo. Deve-se salientar que não foi a ignorância do  homem ou do jovem do meio rural que produziu tal genocídio, mas s mentes “brilhantes” e intelectuais fundamentados em falsas teorias, ideologias chulas que arquitetaram, planejaram e executaram com ajudada de gente “esclarecida”, e claro, com ajuda das massas amorfas, tal barbaridade.
 Os jovens da zona rural foram cúmplices como todos os jovens escolarizados também o foram. Lembrando que nem todos os alemães, cultos ou ignorantes, concordaram com o holocausto. Não há uma relação direta entre vida no campo e barbárie. Haja vista que encontramos muita gente humana em tais ambientes e muitos  brutos nas grandes cidades.   A educação pode humanizar sim o homem, mas é preciso saber de que tipo de educação estamos falando. Não de qualquer uma ou de qualquer forma. Uma educação que vise o homem como um todo e que o torne sofisticado. Uma educação que forme o homem e o cidadão, que trabalhe todas as suas potencialidades, que humanize este homem, que o emancipe e o torne um sujeito prudente para viver uma vida com dignidade. Esta é a educação exigida para que Auschwitz não se repita.
Este artigo será útil a todos os que se ocupam com  a educação, professores alunos, também aos professores e acadêmicos  do curso da área de  sociologia e porque não de todas as áreas, visto que todos precisam estar conscientes das causas que geram o horror  e das formas de preveni-lo.
Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno, nasceu em 11 de setembro de 1903 na cidade de Frankfurt, Alemanha e faleceu de problemas cardíacos em 06 de agosto de 1969, no mesmo país. Alemão de origem judaica estudou na Universidade de Frankfurt Filosofia, Musicologia, Sociologia e Psicologia. Em 1933, emigrou para a Inglaterra devido à perseguição aos judeus, por alguns anos viveu exilado.

quinta-feira, 9 de julho de 2015



Olá pessoal tudo bem? Que tal começarmos a lermos  os textos das disciplinas de uma forma compartilhada? Podemos usar as tecnologias disponíveis para enriquecer nosso aprendizado.
Pensei em criar esse blog com essa finalidade, mas também pode ser uma página no facebook.
 Estou pensando nas formas que podemos trabalhar essa ideia.
Pensei inicialmente que podemos gravar no celular pequenos  vídeos com 5 a 8 min. comentando nossas compreensões e impressões sobre um determinando texto.

Qual os benefícios?
    Estaríamos...
1. lendo o texto.
2.  nos esforçando mais para explicar o texto.
3.  compartilhando nossas compreensões e enriquecendo a nós e  nossos colegas.
4.   exercitando a nossa fala (oratória). O que é importantíssimo num curso de filosofia.
5.  exercitando nossa coragem em expressar nossas ideias e pontos de vista sem medo de julgamentos de terceiros.
6.  exercitando  o raciocínio.
7. estaríamos ampliando a inteligência, entre outros.

Todos podem participar, e isso é que vai ser legal.
Faz a gravação da tua leitura com suas compreensões e me envia que vou postar aqui, acho que vai ser muito interessante.
Não precisa nada de sofisticado não, vai ser uma coisa simples,  sem outra pretensão senão o aprendizagem.

Podemos  criar uma sessão só de perguntas sobre o conteúdo estudado, e todos podem participar respondendo as questões.

Outra possibilidade  é fazermos leituras  de livros relacionados a filosofia e postarmos algumas ideias legais ou mesmo um resumo do livro.

O que vocês acham?

Abraço a todos.