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terça-feira, 29 de setembro de 2015

O positivismo




Resenha do livro: Löwy, Michael. Ideologias e ciência social: elementos para uma análise marxista. São Paulo: Cortez, 2008. 

O positivismo
 Ao tratarmos acerca da constituição da Antropologia como ciência, precisamos antes compreender o desenvolvimento das chamadas Ciências Sociais. Pois a antropologia se inscreve nessa categoria, sendo ela uma das ciências humanas.
No início de nosso estudo encontraremos o Positivismo. Ao tratarmos do positivismo iremos contextualizá-lo como uma teoria social pertencente às Ciências Humanas. Em seguida apresentaremos os principais característicos e seus pressupostos epistemológicos. Contemplaremos o pensamento de Max Weber, que em alguns aspectos, também se insere dentro do positivismo.
O termo epistemologia deriva do grego “epistemi” e significa ciência. Opõe-se a “doxa” que significa opinião. A epistemi pretende ser um conhecimento certo, verdadeiro. A ciência que tratava do homem antes do século XIX era a filosofia, utilizando o método especulativo utilizado pela metafísica. Na modernidade a filosofia como metafísica  entra em crise.  Kant fará uma critica à razão pura cujos resultados foram que a metafísica não se constitui  uma ciência como a matemática e a física. Não é capaz de produzir juízos sintéticos a priori, como o faz a matemática e a física. Embora ideias de Deus, mundo, liberdade, alma possam ser pensadas, não podem ser conhecidas. A metafísica pensada como os dogmáticos é uma ilusão, um não conhecimento. Assim surge um espaço vazio. A filosofia se viu incapaz de dizer o que é o homem. Este espaço vazio será ocupado pelas ciências humanas, estas com grande prestígio derivado do êxito obtido no campo da matemática e física, pretenderá ser a detentora do verdadeiro conhecimento do mundo e do homem.
Notamos aqui uma mudança de método. Abandona-se o método especulativo (filosofia) e adota-se o método da observação, da empiria. Varias ciências surgiram na tentativa de dar conta do humano (sociologia, antropologia, história, geografia, etc.), mas todos tendo como referencia as ciências naturais. Esperava-se alcançar nas ciências humanas o mesmo grau de objetividade das ciências naturais. O positivismo é uma proposta teórico-metodológica com pretensão de constituir-se  como ciência capaz de explicar as relações e fenômenos social. A problemática subjacente que perpassa  nosso estudo é: É possível uma ciência humana isenta de valores, dito de outro modo, capaz de alcançar objetividade tal qual as ciências naturais. O positivismo pode ser explicado a partir de três ideias principais ou hipóteses fundamentais:
a)       A sociedade humana é regulada por leis naturas, imutáveis, ou seja, não sofre influências da vontade ou ação humana. Essas leis regulamentam a vida social, econômica e política e são leis regulamentam a vida social, econômica e política e são do mesmo tipo que as leis naturais.
b)        O método para conhecer a sociedade são os mesmos utilizados para conhecer a natureza.
c)       Assim como as ciências naturais são ciências objetivas. Livres de juízos e valores, as ciências humanas devem ser do mesmo tipo, ou seja, devem ser objetivas. Os valores são empecilhos a objetividade, são contrários, portanto indesejáveis nesse campo.
Talvez tenhamos aqui um elemento utópico, pois o positivismo “afirma a necessidade e a possibilidade de uma ciência social completamente desligada de qualquer vínculo com as classes sociais, com as posições políticas, os valores morais, as ideologias, as utopias, as visões de mundo”. (LOWY, 1985, p. 36).
O positivismo pretende completa isenção  de preconceitos para as ciências humanas. Sendo filha do Iluminismo, entendemos seus motivos, ao compreendermos o contexto o qual estava inserido, pois lutava contra a ideologia dominante da época, a ideologia clerical, feudal, absolutista. No primeiro momento, o positivismo se mostra  possuidora de uma caráter utópico, crítico  e até certo ponto revolucionário.
O primeiro representante do positivismo foi Condorcet (1743-1794) , que postulou que a ciência da sociedade, deve tornar o caráter de uma matemática social, ou seja, deveria ser preciso e rigoroso, objetivo. Considerava o conhecimento da física um  modelo de ciências isentas de valor ou paixão, assim deveria ser as ciências humanas.
Em seguida temos Saint-Simon (1760-1825), discípulo de Condorcet. Esse formulou uma ciência social segundo o modelo biológico (fisiológico). Sua reflexão tem caráter crítico utópico. Para ele algumas classes são parasitas do organismo social, uma referencia à aristocracia e ao clero. Também e caracteriza como combatente das classes dominantes.
Com Augusto Conte (1798-1857) temos uma mudança, pois este criticava, pois este criticava seus antecessores em virtude de seu caráter critico e negativo. Para Conte o conhecimento deveria ser positivo. O positivo aqui soa quase como conservador. Embora continue a tradição anterior, considera a ciência natural como paradigma a ser perseguido, chama sua concepção de “física social”, é uma ciência que estudara os fenômenos sociais. Esses fenômenos são submetidos a leis invariáveis. Essas leis são naturais. Na economia é natural que as riquezas se acumulem nas mãos de poucos e o proletariado deve se conformar com tais leis imutáveis. Vemos aqui como as ideias de Conte refletem os interesses da nova burguesia já estabelecida. Max vai criticar a existência de tais leis.
Emile Durkheim foi um sociólogo no sentido pleno. Por isso o positivismo depende mais deste  do que de Conte. Para ele o objetivo da sociologia era estudar fatos que obedecem aleis sociais, leis invariáveis do mesmo tipo que as leis invariáveis da natureza. O método era o mesmo.
O cientista social deve por de lado suas prenoções antes de iniciar sua pesquisa. Deve deixar-se conduzir pela imparcialidade científica, o sangue-frio. Fazer calar as paixões. Esta tese é mantida por todos os positivistas. É claro que essa imparcialidade não é conseguida nem mesmo por Durkheim, que deixa claro seus valores conservadores em sua obra As Regras do Método Sociológico.
Passemos a análise de Max Weber.  Este foi um autor positivista, mas com algumas divergências.  Ele acredita como todo positivista, a possibilidade de uma ciências social  livre de juízos de valor. Weber  considerava que toda ciência da sociedade, da história e da cultura implica uma relação com os valores que servem  de ponto de partida para a investigação científica.  Assim não considerava algo negativo  estarem presentes  no inicio da pesquisa  os valores. Os valores são pressupostos  indispensáveis a qualquer investigação. Determinam a seleção do objeto, informa a direção da pesquisa, irão fornecer a problemática, ou seja, as perguntas que serão feitas.
Porem num segundo momento, o da resposta, Weber considera que as ciências sociais devem ser livres de valor, deve ser neutras.  A investigação empírica deve submeter-se a leis ou regras objetivas e universais da ciência.

“Deste modo, os pressupostos da pesquisa são subjetivos, depende de valores,  mas os resultados da investigação devem ser inteiramente objetivos, isto é, válidos para qualquer investigador.” (LOWY, 1985, p.50).  

Referência
Resenha do livro: Löwy, Michael. Ideologias e ciência social: elementos para uma análise marxista. São Paulo: Cortez, 2008.