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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Epsitemologia das ciências sociais-Historicismo


HISTORICISMO


Continuação da postagem anterior 

O historicismo constitui uma das três principais  teorias ou concepções acerca conhecimento social. Abordaremos suas três fases, a saber: conservadora, relativista e desenvolvida por Karl Maurheim, sempre destacando a problemática que subjaz todas essas perspectivas, que é a questão da objetividade, do relativismo e dos juízos de valor, nessas abordagens que pretendem a cientificidade.
O historicismo se norteia por três diretrizes:
1.       Todo fenômeno social é histórico e só pode ser compreendido dentro da história, através da história.
2.       Os fatos sociais são diferentes dos fatos naturais. As ciências que as estudam  é de um tio diferente (método diferente).
3.       Tanto o objeto como o sujeito da pesquisa  se encontram imersos no fluxo da história.
4.       Passemos a conhecer o desenvolvimento histórico desta corrente social chamada historicismo.
O historicismo surge por volta do século XVIII e começo do século XIX e tem, nessa primeira fase, um caráter conservador. Visa legitimar as instituições econômicas, sociais e políticas existentes na Alemanha, na Prússia, enfim na sociedade tradicional representada pelos senhores feudais, o clero, os valores culturais e religiosos da época.  Entendiam que estas instituições  e a sociedade como um todo  eram produtos legítimos do processo histórico, como resultado de séculos e história, resultado de um processo orgânico de desenvolvimento. Portanto, ir contra essa sociedade, era ser um arbitrário superficial e anti-histórico. Daí, o historicismo conservador ser contra as posturas revolucionarias, como a Revolução Francesa e contra o próprio capitalismo.
Nesse primeiro período os cientistas sociais  não se preocuparam  tanto com a objetividade. Só a partir do século XIX    começa o questionamento sobre a objetividade. Foi Droysen, em 1873 que primeiro colocou a perspectiva relativista. Para ele a ciência histórica não é objetiva. Disse: “Eu não aspiro atingir, nada mais, nada menos do que a verdade relativa ao meu ponto de vista, tal como ele resulta de minha pátria, de minhas convicções politicas e religiosas e do meu estudo sério”. Resumindo , não existe uma verdade objetiva, neutra. Existem verdades resultantes de um ponto de vista particular. É obvio que este método só leva a resultados parciais e unilaterais.  Mas para ele isso não é algo negativo. “Devemos ter coragem de reconhecer esta limitação e nos consolarmos com o fato de que o limitado e o particular são mais ricos do que o comum e o geral. ( Lowy, 1985, p. 71).
O mais importante representante desse  grupo desse segundo momento relativista do historicismo foi Wilhelm Dilthey, escreveu por volta do fim do séc. XIX e inicio do século XX. Sua grande primeira contribuição foi distinguir entre ciências materiais e ciências sociais. E estabelece seus critérios para isso. Nas ciências humanas (ou do espírito) o sujeito e o objeto são idênticos. O homem e o objeto, ambos são estudados.  São objetos do conhecimento. Nas ciências naturais, apenas a natureza (objeto exterior) é estudado. Sem duvida o tipo de objetividade alcançada por ambos são em graus, tipo ou natureza diferente. No segundo critério, os juízos de valor e os juízos de fato são inseparáveis. Cada sujeito tem seus valores e estão presentes em suas análises da sociedade. No terceiro critério põe a necessidade de não apenas explicar, mas também de compreender os fatos sociais.
Dilthey conclui que “as ciências sociais são produtos históricos e tem sua validez historicamente limitada”. ( Lowy, 1985, p. 74). Dilthey compreende que a ciência social possui uma contradição. Deseja a objetividade, mas cada obra científica é vinculada a uma visão de mundo. Dilthey não sede ao caminho mais fácil, o ecletismo, que todo mundo tem uma parte da verdade. Preferiu o dilema  e ficou com o relativismo. Mas o relativismo total conduz ao ceticismo, ou seja, não existe verdade objetiva.
Tratemos do ultimo momento do historicismo, a sociologia do conhecimento de Karl Mannheim. Este é pensador Hungaro, de cultura alemã. Defende a posição que : “Toda forma de conhecimento ou de pensamento está vinculado ou depende de uma posição social determinada, ou de um social determinado”. ( Lowy, 1985, p. 78). Sua novidade é que relaciona os conhecimentos, as ideologias e utopias com posições sociais, particularmente com a posição de classe”.  Introduzindo uma dose de Marxismo no relativismo. O conhecimento não é só historicamente relativo, mas é também socialmente relativo. Mannheim formulará o conceito de “ideologia total”, o que e uma certa estrutura de consciência ou certo estilo de pensamento, socialmente condicionado, Löwy, procura explicar: “pode-se estudar com pensadores totalmente diferentes, mas todos de um mesmo estilo, que resulta do que ele chama de ideologia total, vinclulada a uma posição de classe”. (Löwy, 1985, p. 80).
A ideologia total ou visão de mundo, tudo isso determina o processo do conhecimento, porque determina a problemática, a orientação da pesquisa, a analise e a teoria.. Essa perspectiva socialmente condicionada, não é só fonte de ignorância, mas também de lucidez, ou seja,  aqui se tem uma percepção  da realidade, mas é limitada e parcial, porque depende de uma posição social.
Mas a questão da objetividade não abandona este autor. Ele perguntará: “Qual é aposição que tem os maiores chances ao máximo de verdade?”  Diz que a classe burguesa tem interesse de esconder do proletariado e de si mesmo a verdade. Assim, escolhe o marxismo como o “observatório” mais elevado, ou seja, a corrente sociológica com mais condições de chegar ao marxismo de objetividade.
Mas Mannheim se mostra um defensor do relativismo eclético, porque a solução para o problema da objetividade é uma síntese dinâmica dos vários pontos de vista, um centro dinâmico entre os extremos. Ele procura encontrar uma base social  para esta  síntese, realizada por um grupo social que seja capaz de realizar a síntese.  Para ele são os intelectuais flutuando livremente, ou intelectuais desvinculados, das classes. Não os orgânicos vinculados as classes, mas os livres das classes. Mas esta tese será abandonada por Mannheim, e buscava outra saída para o relativismo.

A solução que apresentará, e a solução é apropria sociologia do conhecimento, que revela a dimensão limitada socialmente condicionada, de todos os pontos de vista. Deste modo, o sociólogo toma conhecimento das suas limitações ideológicas do seu próprio conhecimento. Assim poderá fazer uma análise “auto crítica” das suas motivações inconscientes, podendo alcançar um auto controle e uma auto correção, e assim, chegar a um conhecimento científico objetivo. Essa foi sua grande contribuição, permitir esse auto controle, essa tomada  de consciência pelo cientista social.