O historicismo
constitui uma das três principais teorias
ou concepções acerca conhecimento social. Abordaremos suas três fases, a saber:
conservadora, relativista e desenvolvida por Karl Maurheim, sempre destacando a
problemática que subjaz todas essas perspectivas, que é a questão da
objetividade, do relativismo e dos juízos de valor, nessas abordagens que
pretendem a cientificidade.
O historicismo se
norteia por três diretrizes:
1. Todo
fenômeno social é histórico e só pode ser compreendido dentro da história,
através da história.
2. Os
fatos sociais são diferentes dos fatos naturais. As ciências que as estudam é de um tio diferente (método diferente).
3. Tanto
o objeto como o sujeito da pesquisa se
encontram imersos no fluxo da história.
4. Passemos
a conhecer o desenvolvimento histórico desta corrente social chamada
historicismo.
O historicismo surge por
volta do século XVIII e começo do século XIX e tem, nessa primeira fase, um
caráter conservador. Visa legitimar as instituições econômicas, sociais e
políticas existentes na Alemanha, na Prússia, enfim na sociedade tradicional
representada pelos senhores feudais, o clero, os valores culturais e religiosos
da época. Entendiam que estas
instituições e a sociedade como um
todo eram produtos legítimos do processo
histórico, como resultado de séculos e história, resultado de um processo
orgânico de desenvolvimento. Portanto, ir contra essa sociedade, era ser um
arbitrário superficial e anti-histórico. Daí, o historicismo conservador ser
contra as posturas revolucionarias, como a Revolução Francesa e contra o
próprio capitalismo.
Nesse primeiro
período os cientistas sociais não se
preocuparam tanto com a objetividade. Só
a partir do século XIX começa o questionamento sobre a objetividade.
Foi Droysen, em 1873 que primeiro colocou a perspectiva relativista. Para ele a
ciência histórica não é objetiva. Disse: “Eu não aspiro atingir, nada mais,
nada menos do que a verdade relativa ao meu ponto de vista, tal como ele
resulta de minha pátria, de minhas convicções politicas e religiosas e do meu
estudo sério”. Resumindo , não existe uma verdade objetiva, neutra. Existem
verdades resultantes de um ponto de vista particular. É obvio que este método
só leva a resultados parciais e unilaterais.
Mas para ele isso não é algo negativo. “Devemos ter coragem de reconhecer
esta limitação e nos consolarmos com o fato de que o limitado e o particular
são mais ricos do que o comum e o geral. ( Lowy, 1985, p. 71).
O mais importante
representante desse grupo desse segundo
momento relativista do historicismo foi Wilhelm Dilthey, escreveu por volta do
fim do séc. XIX e inicio do século XX. Sua grande primeira contribuição foi
distinguir entre ciências materiais e ciências sociais. E estabelece seus
critérios para isso. Nas ciências humanas (ou do espírito) o sujeito e o objeto
são idênticos. O homem e o objeto, ambos são estudados. São objetos do conhecimento. Nas ciências
naturais, apenas a natureza (objeto exterior) é estudado. Sem duvida o tipo de
objetividade alcançada por ambos são em graus, tipo ou natureza diferente. No
segundo critério, os juízos de valor e os juízos de fato são inseparáveis. Cada
sujeito tem seus valores e estão presentes em suas análises da sociedade. No terceiro
critério põe a necessidade de não apenas explicar, mas também de compreender os
fatos sociais.
Dilthey conclui que
“as ciências sociais são produtos históricos e tem sua validez historicamente
limitada”. ( Lowy, 1985, p. 74). Dilthey compreende que a ciência social possui
uma contradição. Deseja a objetividade, mas cada obra científica é vinculada a
uma visão de mundo. Dilthey não sede ao caminho mais fácil, o ecletismo, que
todo mundo tem uma parte da verdade. Preferiu o dilema e ficou com o relativismo. Mas o relativismo
total conduz ao ceticismo, ou seja, não existe verdade objetiva.
Tratemos do ultimo
momento do historicismo, a sociologia do conhecimento de Karl Mannheim. Este é
pensador Hungaro, de cultura alemã. Defende a posição que : “Toda forma de
conhecimento ou de pensamento está vinculado ou depende de uma posição social
determinada, ou de um social determinado”. ( Lowy, 1985, p. 78). Sua novidade é
que relaciona os conhecimentos, as ideologias e utopias com posições sociais,
particularmente com a posição de classe”.
Introduzindo uma dose de Marxismo no relativismo. O conhecimento não é
só historicamente relativo, mas é também socialmente relativo. Mannheim
formulará o conceito de “ideologia total”, o que e uma certa estrutura de
consciência ou certo estilo de pensamento, socialmente condicionado, Löwy,
procura explicar: “pode-se estudar com pensadores totalmente diferentes, mas
todos de um mesmo estilo, que resulta do que ele chama de ideologia total, vinclulada
a uma posição de classe”. (Löwy, 1985, p. 80).
A ideologia total ou
visão de mundo, tudo isso determina o processo do conhecimento, porque
determina a problemática, a orientação da pesquisa, a analise e a teoria.. Essa
perspectiva socialmente condicionada, não é só fonte de ignorância, mas também
de lucidez, ou seja, aqui se tem uma
percepção da realidade, mas é limitada e
parcial, porque depende de uma posição social.
Mas a questão da
objetividade não abandona este autor. Ele perguntará: “Qual é aposição que tem
os maiores chances ao máximo de verdade?”
Diz que a classe burguesa tem interesse de esconder do proletariado e de
si mesmo a verdade. Assim, escolhe o marxismo como o “observatório” mais
elevado, ou seja, a corrente sociológica com mais condições de chegar ao
marxismo de objetividade.
Mas Mannheim se
mostra um defensor do relativismo eclético, porque a solução para o problema da
objetividade é uma síntese dinâmica dos vários pontos de vista, um centro
dinâmico entre os extremos. Ele procura encontrar uma base social para esta
síntese, realizada por um grupo social que seja capaz de realizar a
síntese. Para ele são os intelectuais
flutuando livremente, ou intelectuais desvinculados, das classes. Não os
orgânicos vinculados as classes, mas os livres das classes. Mas esta tese será
abandonada por Mannheim, e buscava outra saída para o relativismo.
A solução que
apresentará, e a solução é apropria sociologia do conhecimento, que revela a
dimensão limitada socialmente condicionada, de todos os pontos de vista. Deste
modo, o sociólogo toma conhecimento das suas limitações ideológicas do seu
próprio conhecimento. Assim poderá fazer uma análise “auto crítica” das suas
motivações inconscientes, podendo alcançar um auto controle e uma auto
correção, e assim, chegar a um conhecimento científico objetivo. Essa foi sua
grande contribuição, permitir esse auto controle, essa tomada de consciência pelo cientista social.

